Há um tipo de cuidado que não se revela como um conforto imediato, prazer ou alívio. Em vez disso, ele surge como um movimento interno de separação. É o momento em que alguém para de buscar a atenção de quem nunca esteve realmente disponível emocionalmente. Não é por rigidez ou orgulho, mas por clareza. Essa escolha exige que se atravesse um território desconfortável. O medo do silêncio, o medo da espera, o medo de que o tempo até encontrar alguém que realmente possa sustentar uma conexão seja mais longo do que a paciência consegue aguentar. Há um luto silencioso nesse ato, pois não se perde apenas a pessoa, mas também a ideia de que ela poderia um dia mudar.
Terminar uma relação que não atende nem às necessidades mais básicas é um gesto de maturidade emocional. É entender que sentir não é suficiente quando o outro não está presente. Que desejo não constrói uma presença real e que apego não gera responsabilidade afetiva. Algumas conexões trazem ansiedade, criam tensão e mantêm o corpo em alerta. Outras oferecem previsibilidade, constância e uma segurança que não precisa ser renegociada a cada encontro. Com essas, não há dúvida sobre o seu espaço. Não existe um silêncio que machuca. Não há espera que consome.
O cuidado verdadeiro começa quando se decide ficar apenas onde existe integridade: onde há presença. Onde não é necessário competir por atenção ou justificar a própria importância. Nesse afastamento, mesmo que doloroso, surge um novo espaço. Um espaço onde o corpo pode relaxar. Onde a mente desacelera. Onde o afeto deixa de ser um pedido e se transforma em um encontro.
19 janeiro 2026
Sobre não implorar presença
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